Z Arquitetura.

Edifício Porto digital + Diário de Pernambuco
-----------------------------------------------------------------------
Localização: Praça do Diário, Santo Antonio, Recife2016
Tipologia: Corporativo
Status: Concurso
-----------------------------------------------------------------------
Arquiteto(s): Ana Clara Bispo; Lane Carvalho; Múcio Jucá; Noé Sérgio; Patrícia Quitella; Renato Leão.
-----------------------------------------------------------------------

Do edifício único na quadra maciça da cidade colonial à plasticidade e fluidez modernista dos “Planos de Galeria” viveu o Recife o primado da quadra. O abandono do apuro estético envolvendo a composição e a arquitetura da cidade sinaliza o início do primado do lote individual em detrimento da escala da quadra.

Tendo em mente que uma das riquezas do fato urbano são as transformações que evidenciam a sua evolução, a quadra é o objeto de intervenção - composição plástica e volumétrica entre os edifícios e o entorno imediato, inserção no tecido urbano e na paisagem, além de usar o potencial construtivo para o aproveitamento pleno do adensamento, dentro do limite da capacidade de suporte da infraestrutura.

Os três primeiros pavimentos dialogam com o edifício histórico. Este plinto abre-se para o fluxo das galerias e calçadas: pé direito triplo, jardins internos, vãos generosos e uma praça elevada com área de alimentação. As prioridades são a visada e a escala humana nas ruas adjacentes e no entorno imediato. As entradas, os acessos, os dimensionamentos internos e os patamares diversos permitem uma variedade de vistas e integração de ambientes interiores e exteriores. 

A torre, corpo da volumetria, além dos vãos livres para espaços de trabalho conta com sala de funcionários e bar/restaurante. Este último se integra à coberta das edificações vizinhas através do recurso de telhado verde. O pano de vidro possibilita o uso de iluminação, a ventilação natural e um maior contato visual com a paisagem. O brise-soleil da fachada reduz a incidência solar. Ele é o protagonista da composição das fachadas sul, oeste e leste, contribuindo para a diminuição da velocidade dos ventos dominantes e formação um colchão de ar protetor. O coroamento retoma o elemento clássico de composição arquitetônica que confere identidade vertical e referencia o edifício agregando-o ao discurso de torres, cúpulas e cornijas que compõem a paisagem para o observador à distância.

A intervenção busca a integração, da escolha do sistema construtivo, concreto armado, ao diálogo com o conjunto arquitetônico modernista, através de um volume trapezoidal, distorcido, formando faces diversificadas para melhor aproveitamento das visadas, da ventilação e iluminação natural sempre procurando moldar-se à quadra e ao lugar.

Através de estratégias bioclimáticas busca-se a eficiência energética e o baixo impacto no meio ambiente como o uso de placas fotovoltaicas, a captação e o armazenamento de águas pluviais, o uso de sanitários a vácuo e torneiras acionadas por sensores para racionamento da água.